quinta-feira, 7 de abril de 2011

JUAN

Vou falar sobre um fato
Que abalou a nação
Falar sobre um jovem
Rapaz de um bom coração
Que por causa de uma imprudência
Pode perder a visão

Saudade da aeronáutica
É um cargo federal
E vinha dentro do ônibus
Era um calor infernal
E tava com o vidro aberto
e alguém lhe jogou cal

Juan estudava muito
Ele queria ir mais alem
Entrando na aeronáutica
Para ser um homem de bem
Foi atingido seus olhos
Não consegue ver ninguém

Quando os jovens lhe atingiram
Ai se sentiram o tal
Foram embora para balada
O Juan para o hospital
Alguém lhes chama de jovem
Eu acho que é marginal

Sua mãe recebeu a noticia
Do fato que aconteceu
Ela pegou um taxi
E foi ao encontro seu
Ficou tão horrorizada
Quando viu os olhos seus

A sua mãe vive triste
Devido à situação
Até hoje passa no medico
Pois entrou em depressão
Por causa de dois garotos
Que não tem ocupação.

Autor: José do Nascimento

PAI E FILHA

No dia cinco de agosto
Veio uma luz do além
Minha vó teve uma criança
Como outra mulher tem
E você papai querido
Aceita meus parabéns

Papai me sinto feliz
Com tudo que aconteceu
Se o senhor passa prá mim
Tudo de bom que aprendeu
Agradeço a Deus do céu
Pelo pai que me escolheu

Minha mãe esta feliz
Com o marido que tem
O meu pai eu lhe adoro
E lhe amo e quero bem
E o amor dos meus pais
Eu não divido com ninguém

Quando  a minha vó morreu
Sei quanto o senhor chorou
Já vinha uma perca grande
Que morreu o meu avô
Mais graças ao pai do céu
O senhor se conformou

São quarenta e um anos
Que o senhor completou
Minha mãe esta feliz
Eu muito feliz estou
E nosso melhor presente
É lhe dar o nosso amor

Quando eu entro no meu quarto
E você vai trabalhar
Eu fico contando as horas
Para o senhor retornar
Eu corro para os seus braços
Ai tento me acalmar

Eu tenho um quarto montado
E também um computador
E carro para passear
Em todo lugar que eu vou
Mais o melhor de tudo
É o carinho do senhor

Alem de ser o meu pai
É também o meu amigo
Reclama quando eu erro
E me tira do perigo
Eu nunca paguei um por cento
Do que o senhor fez comigo

Autor: José do Nascimento

SAUDADE

Lembro com muita saudade
do meu querido sertão
eu morei com os meus pais
convivi com meus irmãos
e vem uma tristeza tão grande
que corroi meu coração

a casa que eu me criei
não ta valendo mais nada
o piso ja afundou
as paredes estão rachadas
as telhas tudo no chão
e as madeiras foram roubadas

viajei pelo nordeste
que muito pouco choveu
abracei os meus parentes
revi os amigos meu
e mamãe esta velinha
e papai já faleceu

já me diverti bastante
em festa de botequim
muitas morenas bonitas
as vezes tava afim
e hoje eu tenho a impressão
que elas tem nojo de mim

a saudade é um vulcão
do nosso peito judia
aprendi a fazer meu nome
com os dedos na areia
brincava no final do dia
com uma bola de meia

corria de pé no chão
por dentro dos matagais
tem saudade dos meus manos
dos meus primos e dos meus pais
e a saudade do meu tempo
esse tempo não volta mais

andava de pé no chão
pisando sobre a poeira
em uma noite de luar
que fazia a brincadeira
e assava milho na palha
sobre as brasas da fogueira

lembro com muita saudade
das coisas do meu lugar
meu cachorro caçador
minha corda de laçar
e mãe fazia lambedor
de casca de jatobá

com dois sacos de açúcar
mãe fazia meu lençol
me acordava de manha
com canto de rouxinol
e ia cuidar da lavoura
só voltava ao por do sol

pra se ganhar dinheiro
ia colher algodão
quando eu ia pra cidade
transporte era um caminhão
e relembro com saudade
da primeira comunhão

tinha medo de relâmpago
de redemoinho e trovão
eu colocava  água em casa
duas latas em um galão
tudo isso é saudade
do meu pedaço de chão

nas diluías de feijão
sobre a luz do candeeiro
um forro de uma latada
um maestro é o sanfoneiro
onde a gente se diverte
mesmo com pouco dinheiro

eu pegando cor do Liz
quando armava a arapuca
comia coco ralado
e misturava com açúcar
e as pernas cheias de manchas
das mordidas da mutuca

nosso relógio era o galo
que despertava as madrugadas
pescava com meus amigos
e sempre pegava piaba
depois levava pra casa
pra gente  comer assado


já nadei sobre as águas
La do rio pajeu
minha vó fazia doce
com batata de Embu
já tomei cana na terra
e do tira gosto era caju

eu recordo a  minha terra
quando era a tardezinha
eu fazia as refeições
no batente da cozinha
e doido para namorar
com a filha da vizinha

tem mais de trinta anos
que eu sai do meu lugar
na capital bandeirantes
eu vim para trabalhar
 ficar aqui eu não consigo
para la não posso voltar

quando eu estou trabalhando
eu começo a imaginar
no meu lindo pé de serra
aquele pe de juá
e da uma saudade grande
ai eu começo a chorar

Autor : José do Nascimento


CHICÃO

Eu perguntei para Chicão
O que estava acontecendo
Cabelo ficando branco
E a barriga crescendo
Juventude indo embora
E a velhice aparecendo

Ele mora em diadema
Mas trabalha de porteiro
Fica dentro da guarita
E fumando o tempo inteiro
Estragando a saúde
E queimando seu dinheiro

Ele nasceu em Flores
Em uma cidade do sertão
Cortou terra de arado,
Arrancou mato de mão,
Ele trabalha em são Paulo
Junto com seu irmão

Um dia ele saiu de carro
Veja a coisa como é
Parou em uma padaria
Para tomar um café
Bandido levou seu fusca
E deixaram Chicão de pé

Me falou que é São Paulino
Sinceramente não sei
Se tem uma roda de bambi
Ele fica pelo meio
Disseram que ele foi visto
Dançando na parada gay

Você desculpe Chicão
Que eu sou um trovador
Na faculdade da vida
Jesus é meu professor
Vá conversar com seu Carlos
Porque foi ele que lhe mandou.


Autor: José do Nascimento


TRISTEZA

o que mais me deixa triste
eu faço anotação
é ver bandido na rua
inocente na prisão
e os políticos brasileiros
no meio da corrupção

Eu tenho bastante medo
do que esta acontecendo
a natureza se irrita
e o ser humano morrendo
as águas do mar subindo
e a temperatura crescendo

O que mais me deixa triste
é ver criança embriagada
e a tal da cracolândia
vendendo pelas calçadas
e um jovem adolescente
assaltando a mão armada

O que mais me deixa triste
o que vem acontecendo
la na região serrana
os morros estão descendo
a lama invadindo as casas
e o ser humano morrendo

O que mais me deixa triste
pois eu tenho confirmado
é os grandes vendavais
outros locais tem tornado
em um local faltando chuva
e outros morrendo afogado


o que mais me deixa triste
é criança mal educada
gente que diz que faz tudo
mas não entende de nada
e você sai de carro
em uma rua esburacada

o que mais me deixa triste
é o jovem na zoeira
criança de pé no chão
pisando sobre poeira
e gente que ofende os outros
depois diz que é brincadeira

o que mais me deixa triste
é uma semana de carnaval
uma pequena discussão
em uma união conjugal
e morrer uma mãe de parto
por falta de hospital

o que mais me deixa triste
é falar em bruxaria
ganhar um salário mínimo
e driblar a caristia
e alguém que esta doente
da tal da epilepsia

O q mais me deixa triste
é olhar a inflação
ver o horário político
no radio ou televisão
ver o doente visual
    com a bengala na mão



Autor: José do Nascimento

TEMA DOS CORNOS

Eu vou falar sobre os cornos
que existem nos lugares
ficam com as crianças em casa
e a mulher vai passear
que gênio foi batizado
pelo corno baba

também tem o corno elétrico
que é muito mal encarado
se alguém fala com ele
ele esta revoltado
e quando chamam de corno
ele diz q ta ligado

e tem o corno Tomé
que nunca ta percebendo
que sua mulher tem outro
e seu chifre ta crescendo
e fala para todo mundo
eu só acredito vendo

e tem o corno queimado
que ele sai de manhazinha
bate na porta da sala
mas espera na cozinha
diz q põem a mão no fogo
e confia em sua gatinha

o corno despertador
que avisa que ta chegando
tem o corno estagiário
quando ele esta namorando
e tem o corno cebola
que ele só vive chorando



tem o corno valente
que se alguém comentar
ele lavando o banheiro
e ela na porta do bar
e ele beija seus pés
para ela não lhe deixar

E tem o corno chiclete
todos sabem como é
fica grudado no pé
igualzinho a chulé
e não se afasta do lado
e só fala na ex mulher

tem o corno embriagado
que vive no botequim
e ele morre de medo
dele terminar sozinho
e divide sua mulher
com todos os seus vizinhos

tem o corno educado
que ele é uma sensação
é ele fazendo a comida
e a mulher la no portão
e abre a porta com carinho
quando chega o Ricardão

tem o corno inflação
muitos deles estão morrendo
é a mulher namorando
e o povo lhe dizendo
que a cada dia que se passa
o seu chifre esta crescendo



também tem o corno Xuxa
que segue seu caminho
a mulher lhe bota chifre
e ele sempre da um jeitinho
e não s esepra dela
só por causa dos baixinhos

conheci um corno galo
antes do final do ano
ele tem um chifre os pés
e só anda rebolando
 a mulher é uma galinha
e ele vive cantando

Tem o corno fofoqueiro
eu falo em um segundo
ele é todo metido
finge que é dono do mundo
e se descobre que é corno
sai contando a todo mundo

tem corno pai de santo
vc sabe como é
é sempre muito calado
ele é cheio de mistério
e vive espantando o cabloco
da casa da sua mulher

tem o corno enganado
e o corno que ta sabendo
ele tenta disfarçar
que seus galhos estão crescendo
e tem o corno cascavel
que desfila seu veneno



tem o corno azulejo
que é liso pra todo lado
esta próximo de muitos outros
e bastante rejuntado
eita corno esquisito
pequeno largo e quadrado

e tem o corno secreto
que acaba de lançar
ele anda pela rua
e ninguém pode notar
sua casa não falta homem
quando ele vai trabalhar

também tem o corno estrela
que ele segue seu caminho
a mulher com o namorado
e ele sempre sozinho
ela brilha la na cama
e ele la no jardim

tem o corno risadinha
e tem o corno xofreu
e tem o corno Tomé
e tem o corno ateu
isso é uma lição
que os cornos lhe deu

eu perguntei para um corno
la no bairro da ribeira
entre o corno e apolítica
ele disse é brincadeira
político é só quatro anos
e corno é pra vida inteira


Autor: José do Nascimento

PAIXÃO NO AR

Quando alguém se apaixona
Geralmente perde o sono
A boca ficando seca
E os seus olhos brilhando
Fica com as pernas tremendo
Quando este alguém esta chegando

Alguém confunde a paixão
Com o verdadeiro amor
Vê a pessoa a primeira vez
E acha que se encantou
Depois que ele quebra a cara
Descobre que se enganou

Quando o casal se apaixona
já começa a namorar
Ai compra as alianças
Marca o dia de noivar
Ai faz a economia
Já pensando em se casar

Começa com um olhar
e vem uma declaração
o rapaz compra a aliança
a moça enfeita a mão
depois ele vê que esta errado
ai vem a decepção

um beijo com desejo
você sente outro sabor
mesmo na época do frio
você se arde em calor
ai recebe a benção
de Cristo nosso Senhor

se a mulher ta namorando
já começa a dominar
já põem as cartas na mesa
para ensinar a jogar
e o homem se torna vitima
para alcançar o seu patamar

eu perguntei a uma amiga
a respeito desse assunto
que a paixão e a confiança
sempre caminharam junto
só termina um grande amor
quando um vira defunto

eu perguntei para uma moça
e ela disse companheiro
eu gosto de passear
e me arrumo o tempo inteiro
e só me apaixono por um homem
se tiver muito dinheiro


 Autor: José do Nascimento