quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

São Paulo a Fortaleza

Eu embarquei de noite
Já cheguei de manhazinha
Tomei um café reforçado
La na mesa da cozinha
Fui tomar banho na piscina
No clube do cascatinha

Fui na praia do futuro
Passeei na beira do mar
O morro de santa Tereza
Alguém veio me mostrar
E na praça de Iracema
Eu também estive por La

Açudes e cachoeiras
É uma fonte de beleza
Praias limpas e saudade
Da divina natureza
Quem faz um bom turismo
Vai visitar fortaleza

Eu cheguei no aeroporto
Já desci do avião
Me mandei para maraguapé
Para casa de meu irmão
Passeei na beira mar
E saboreei camarão

Zacarias esta feliz
Por que a família esta criada
As filhas todas casadas
E o filho tem namorada
E ele junto da velha
Com a vida estabilizada


Autor: José do Nascimento


HISTÓRIAS DA MINHA TERRA

Andei montando no vento
Eu chutei um trovão
Eu amarrei um relâmpago
Que ele brilhava no chão
E segurei um curico
Na palma da minha mão

Um dia esquentei o sol
Na hora que foi  nascer
Eu provoquei uma enchente
Cinco anos sem chover
Uma velha de CE anos
Uma grávida e um bebe

Eu viajei para o nordeste
Montado em um caminhão
Vinha tomando cachaça
Misturada com limão
Sai do sudeste
e vim parar no sertão

eu fui caça um vez
na mata de mubungu
dei um tiro só matei
vinte pomba e dez tatu
oitenta e cinco sariema
e noventa e quatro  jacu


Andei em estrada de terra
Passei por bastante perigo
Fui na casa dos parentes
Visitei os meus amigos
Dei um beijo na parteira
Que cortou o meu umbigo

Nossa querido nordeste
E dotado de beleza
A nossa gente é simples
Mais é completa de grandeza
Entrei nadando em recife
E sai em fortaleza

Organizei uma condução
No estado do Piauí
Comprei bastante madeira
Que vinha do cariri
Fiz um belo navio
No casco de jaboti

Já mim casei dezoito vezes
Na época que eu era novo
Mais me  encontro solteiro
Explico para o meu povo
Que estou procurando uma doida
Que queira casar de novo

Me casei com quatro loiras
Me adora com louvor
Encontrei cinco morenas
Que por mim se apaixonou
Conquistei sete baixinhas
E nove altas me “largou”

Eu peguei uma espingarda
Fui para o mato caçar
Em cima de um lajeio
Dei um tiro em uma preá
Deu mais de trezentos quilos
Na hora que eu fui pesar

Com água pano e sabão
Lavei as cinzas do ar
Andei de pé sobre as águas
Nas ondas do alto mar
Uma velha de cento e dez anos
Ser mãe e dar de mamar


Quem rouba mata e seqüestra
Eu chamo de mau fasejo
Incentivo mulher grávida
A refinar os seus desejos
Mineiro de Belo Horizonte
Subiu o morro procurando queijo

Expliquei a Otavio Maria
Desenhar apartamento
Antonio Emilio de Moraes
Como que se faz cimento
Ensinei o Padre Marcelo
A celebrar casamento

Já  carreguei sobre os ombros
Uma carreta de feijão
Construi ate meio dia
Uma pista de avião
Já cortei no chicote
O bando de lampião



Autor: José do Nascimento




Um susto na adolescencia

Um casal de namorados
Dizia que se apaixonou
Por falta de imprudência
Nenhum dos dois se cuidou
e para inicio de conversa
A menina engravidou

Sente um enjoou e tontura
ja começa a passar mal
vai ao posto de saúde
para fazer o pré natal
e marca um chá de bebe
para montar um enxoval

nove meses de gestação
ela se sente enjoada
andando de passos lentos
sempre com as pernas inchadas
e diminui os passeios
e não freqüente a balada

ela sempre comentava
começo com uma brincadeira
pintar o quarto do bebe
para evitar poeira
ja que comprei cobertozinho
toalhas e mamadeira

e quando a criança nasce
ja começa a agonia
ela olha para a barriga
toda cheia de estria
e para ficar em forma
vai malhar na academia


Autor: José do Nascimento

TRISTEZA

o que mais me deixa triste
eu faço anotação
é ver bandido na rua
inocente na prisão
e os políticos brasileiros
no meio da corrupção

Eu tenho bastante medo
do que esta acontecendo
a natureza se irrita
e o ser humano morrendo
as águas do mar subindo
e a temperatura crescendo

O que mais me deixa triste
é ver criança embriagada
e a tal da cracolândia
vendendo pelas calçadas
e um jovem adolescente
assaltando a mão armada

O que mais me deixa triste
o que vem acontecendo
la na região serrana
os morros estão descendo
a lama invadindo as casas
e o ser humano morrendo

O que mais me deixa triste
pois eu tenho confirmado
é os grandes vendavais
outros locais tem tornado
em um local faltando chuva
e outros morrendo afogado


o que mais me deixa triste
é criança mal educada
gente que diz que faz tudo
mas não entende de nada
e você sai de carro
em uma rua esburacada

o que mais me deixa triste
é o jovem na zoeira
criança de pé no chão
pisando sobre poeira
e gente que ofende os outros
depois diz que é brincadeira

o que mais me deixa triste
é uma semana de carnaval
uma pequena discussão
em uma união conjugal
e morrer uma mãe de parto
por falta de hospital

o que mais me deixa triste
é falar em bruxaria
ganhar um salário mínimo
e driblar a caristia
e alguém que esta doente
da tal da epilepsia

O que mais me deixa triste
é olhar a inflação
ver o horário político
no radio ou televisão
ver o doente visual
com a bengala na mão




Autor: José do Nascimento

SAUDADE

Lembro com muita saudade
do meu querido sertão
eu morei com os meus pais
convivi com meus irmãos
e vem uma tristeza tão grande
que corroi meu coração

a casa que eu me criei
não ta valendo mais nada
o piso ja afundou
as paredes estão rachadas
as telhas tudo no chão
e as madeiras foram roubadas

viajei pelo nordeste
que muito pouco choveu
abracei os meus parentes
revi os amigos meu
e mamãe esta velinha
e papai já faleceu

já me diverti bastante
em festa de botequim
muitas morenas bonitas
as vezes tava afim
e hoje eu tenho a impressão
que elas tem nojo de mim

a saudade é um vulcão
do nosso peito judia
aprendi a fazer meu nome
com os dedos na areia
brincava no final do dia
com uma bola de meia


corria de pé no chão
por dentro dos matagais
tem saudade dos meus manos
dos meus primos e dos meus pais
e a saudade do meu tempo
esse tempo não volta mais

andava de pé no chão
pisando sobre a poeira
em uma noite de luar
que fazia a brincadeira
e assava milho na palha
sobre as brasas da fogueira

lembro com muita saudade
das coisas do meu lugar
meu cachorro caçador
minha corda de laçar
e mãe fazia lambedor
de casca de jatobá

com dois sacos de açúcar
mãe fazia meu lençol
me acordava de manha
com canto de rouxinol
e ia cuidar da lavoura
só voltava ao por do sol

pra se ganhar dinheiro
ia colher algodão
quando eu ia pra cidade
transporte era um caminhão
e relembro com saudade
da primeira comunhão

Autor: José do Nascimento