quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

HISTÓRIAS DA MINHA TERRA

Andei montando no vento
Eu chutei um trovão
Eu amarrei um relâmpago
Que ele brilhava no chão
E segurei um curico
Na palma da minha mão

Um dia esquentei o sol
Na hora que foi  nascer
Eu provoquei uma enchente
Cinco anos sem chover
Uma velha de CE anos
Uma grávida e um bebe

Eu viajei para o nordeste
Montado em um caminhão
Vinha tomando cachaça
Misturada com limão
Sai do sudeste
e vim parar no sertão

eu fui caça um vez
na mata de mubungu
dei um tiro só matei
vinte pomba e dez tatu
oitenta e cinco sariema
e noventa e quatro  jacu


Andei em estrada de terra
Passei por bastante perigo
Fui na casa dos parentes
Visitei os meus amigos
Dei um beijo na parteira
Que cortou o meu umbigo

Nossa querido nordeste
E dotado de beleza
A nossa gente é simples
Mais é completa de grandeza
Entrei nadando em recife
E sai em fortaleza

Organizei uma condução
No estado do Piauí
Comprei bastante madeira
Que vinha do cariri
Fiz um belo navio
No casco de jaboti

Já mim casei dezoito vezes
Na época que eu era novo
Mais me  encontro solteiro
Explico para o meu povo
Que estou procurando uma doida
Que queira casar de novo

Me casei com quatro loiras
Me adora com louvor
Encontrei cinco morenas
Que por mim se apaixonou
Conquistei sete baixinhas
E nove altas me “largou”

Eu peguei uma espingarda
Fui para o mato caçar
Em cima de um lajeio
Dei um tiro em uma preá
Deu mais de trezentos quilos
Na hora que eu fui pesar

Com água pano e sabão
Lavei as cinzas do ar
Andei de pé sobre as águas
Nas ondas do alto mar
Uma velha de cento e dez anos
Ser mãe e dar de mamar


Quem rouba mata e seqüestra
Eu chamo de mau fasejo
Incentivo mulher grávida
A refinar os seus desejos
Mineiro de Belo Horizonte
Subiu o morro procurando queijo

Expliquei a Otavio Maria
Desenhar apartamento
Antonio Emilio de Moraes
Como que se faz cimento
Ensinei o Padre Marcelo
A celebrar casamento

Já  carreguei sobre os ombros
Uma carreta de feijão
Construi ate meio dia
Uma pista de avião
Já cortei no chicote
O bando de lampião



Autor: José do Nascimento




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