sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O matuto Zé Simão

1

Eu quero falar um pouco
de um grande ser humano
que nasceu la no nordeste
no sertão pernambucano
filho de João Simão
e Antonia Teodoro Ramo

em abril de trinta e cinco
como o poeta escreveu
dona Antonia estava grávida
ai Zé Simão nasceu
e seu João ficou feliz
com o fruto que recebeu

Ze Simao esta feliz
no começo da idade
ai sua mãe morreu
deixando na orfandade
e quando ele fala dela
ainda chora de saudade
2

Se criou-se com seu pai
que estava do seu lado
para ganhar algum dinheiro
trabalhava de alugado
mas a sua simples vida
Jesus tinha programado

Ana uma moçam linda
que Ze Simao encontrou
começaram a namorar
e em seguida se casou
e a morte assassina
carregou o seu amor

a Ana estava grávida
quando ela desmaiou
com o rosto dentro d'agua
onde ela se afogou
morreu ela e a criança
como Jesus programou




3

Ai Du carmo surgiu
como sua grande paixão
filha de Maria Silveira
e de Raimundo Damião
foram direto a igreja
e celebraram a união

Toda noite ele saia
pra com ela namorar
com aliança no bolso
com o velho comunicar
sempre ficava com medo
e não conseguia falar

Um dia ele resolveu
foi junto com seu irmão
pra pedir a mão da moça
a Raimundo Damião
e na hora que foi falar
só olhava para o chão


4

Trabalhou de mucreve
tangeu burro na estrada
montado em um jumento
em uma cela capa quadrada
só tinha Jesus na mente
e não tinha medo de nada

ele ia todos os anos
para festa de calçarinha
no seu burro canarinho
ou no cavalo estribinha
ele lembra com saudade
da roça la da matinha

Ele tem dois filhos homem
e tem dez filhas mulher
sempre fazendo vassoura
de paia de catolé
o inicio da historia
de Ducarmo e de José





5

se confirma trinta netos
como o poeta notou
mas ja tem dez bisnetos
que ele trata com amor
e o velho Jose Simão
se tornou-se um sonhador

agora vamos falar
quantas vezes mudou
saiu de cima da serra
e no tapui morou
e voltou para os canecos
onde tres filhos se casou

trabalhava na lavoura
cuidava dos animais
e fazia lambedor
quando alguém passava mal
e saiu la dos canecos
e foi la para o queixo de pau

6

Um dia ficou doente
la no meio do sertão
e veio aqui pra Sao Paulo
embarcou no aviao
sua ulcera estourou
e ele fez uma operação

algumas vezes para São Paulo
ele veio pra passear
se despediu da família
retornou para o seu lugar
como já estava de idade
conseguiu se aposentar

não consegue trabalhar
agora se aposentou
saiu do queixo de pau
mudou la pro logrador
se sentou la na calçada
assistindo o sol se por





7

fica olhando as estrelas
assiste o povo passar
comenta com os vizinhos
quando quer desabafar
e vive sempre torcendo
para seu filhos ligar

quando recebe uma visita
de um amigo ou de um parente
Ducarmo fica feliz
Zé Simão fica contente
se juntasse toda a família
para ele era um presente

tornou-se um belo casal
uma bela união
todo dia reza o terço
faz a sua oração
e agradece muito a Deus
por não lhe faltar o pão


8

assiste televisão
se acorda de madrugada
as vezes fica chorando
lembrando da filharada
no tempo que ele era novo
adorava vaquejada

João Alves tinha um cachorro
que foi Ze Simao que deu
ele mordeu sua perna
e veja o que aconteceu
ficou com a deficiência
medico nenhum resolveu

na pega de enganosa
deu uma de apoiador
junto com Antonio seu filho
muita cerveja tomou
chegando e casa de fogo
a velha não acreditou





9

e sobre a deficiência
eu quero falar de novo
ele ficou desse jeito
da mordida do cachorro
e ja faz bastante tempo
na época que ele era novo

tem Antonio e Lucinez
Luciene e Dourinha
Conceição e José Milton
Lurdes e Lucinha
Fatima, Simone e Josineide
também Socorrinho

e mesmo sendo doente
trabalhava o tempo inteiro
e relembra com saudade
do jumento campineiro
que carregava a vassoura
para ganhar algum dinheiro

10

a sua filha mais velha
que se chamava Dourinha
onde ia vender vassoura
a povoado e varzinha
saia de manha cedo
so voltava a tardezinha

ele ia para a cidade
com uma bengala na mão
e nisso passo um fusca
jogaram um pacote no chao
era bolacha de creme crack
e meio quilo de requeijão

para cuidar de doze filhos
quanto ele batalhou
puxava roda de mão
trabalhava com motor
forno de torra farinha
e muita massa impressou





11

e tem Luiz quixabeira
amigo de Zé Simão
que quando ele precisa
ele vem e estende a mão
os dois são compadre
tem uma bela união

José Simão me Dizia
que a vida continua
se senta em uma cadeira
e fica admirando a rua
e uma coisa que ele adora
é a beleza da lua

aonde ele chegava
se tornava um festival
sua simples brincadeiras
tornou-se um cara de pau
e cantava vaquejada
e o povo achava legal


12

Fez corda de carua
tinha muita freguesia
sua casa muito pobre
mas tinha muita alegria
comprou um radio ABC
para assistir cantoria

comprou um porco manhoso,
bebia água em uma garrafa
quando falava para o povo
todo mundo achava graça
falando de simãozinho
muito rápido o tempo passa

era ele e nove irmãos
como o poeta escreveu
conforme os acontecimentos
seis deles já morreu
só tem ele e dois vivos
e Afonso desapareceu





13

na casa de zé zidoro
nas noites de farinhada
trabalhava a semana
com sua turma animada
e hoje ele lembra disso
e toma cerveja gelada

ele olha no nascente
a nuvem parece um torreão
a chuva bate na telha
a água escorre no chão
e ele fica lembrando
da época da plantação

nas areias do tapui
ele plantava feijão
e la no serrote branco
cultivava algodão
de dia era calor
e de noite serração


14

foi nos anos de setenta
eu tive uma informação
as suas crianças pequenas
não tinha alimentação
e ele foi comprar fiado
a Zezinho do são João

os seus filhos me diziam
que é o pai melhor do mundo
é uma vitima da pobreza
um sentimento profundo
se ele cozinhasse um ovo
partia com todo mundo

e seu compadre luiz
um amigo sensacional
se o velho zé simão
acaso passasse mal
ele levava nos braços
para cuidar no hospital




15

oito filhos veio para são paulo
mais zé simão não queria
porque a sua vontade
é mestre perto da família
para ter neto e bisneto
na sua companhia

simaozinho é divertido
quando chega em algum lugar
e se alguém necessita
ele tenta ajudar
por isso que no nordeste
tornou-se tão popular

simãozinho é nordestino
é um homem de respeito
nos lugares  q ele anda
demonstra q é direito
tem um coração imenso
chega a estufar o peito


16


os seus filhos lhe dizia
simãozinho é mais alem
os seus netos lhe adora
lhe admira e quer bem
e os bisnetos não divide
o seu amor com ninguém

Pra falar desse Matuto
Eu sinto muita alegria
Que é uma pessoa descente
E curte sua família
E eu contei a sua história
em ritimo de poesia

Agradeço muito a Deus
Por me dar inspiração
Ao Nosso Pai poderoso
Forçou minha imaginação
Para contar a história
Do Matuto Zé simão

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Como vive os animais

m








1


Existem dois veados
Totalmente diferentes
O do mato é muito bravo
O de casa é competente
O do mato a gente caça
E o de casa caça a gente

O lagarto anda no chão
Por dentro da folharada
Com sua língua de fora
Pra fazer sua caçada
Gosta de ovo de pato
E por isso não paga nada

O pernilongo é um bicho
Que gosta de incomodar
Se você passa veneno
Talvez possa se mandar
E conta no seu ouvido
Pra você se acordar






2

O leão tornou-se o Rei
Porque é competente
Na selva existe uma ordem
A sua chega à frente
E se ele der um esturro
Isto é o suficiente

O macaco é um artista
Veja a coisa como é
Começa com palhaçada
Quando ver uma mulher
E com uma pedra na mão
Quebra coco catolé

O sapo tem olho feio
E a cara achatada
O bicho mole no meio
As costas dele é rajada
Conta na época de chuva
No cheiro da trovoada






3

O pingüim é um filhote
Conforme é a tradição
Os pais ficam com os filhos
Cuida da futura geração
E as mães vão para a luta
Para buscar a refeição

O jacaré fica na água
Conforme a sua idade
E aguarda a sua presa
Para sua felicidade
E o seu couro vira bolsa
Para o povo da cidade

Canguru é esquisito
Eu posso compreender
Fica pulando para frente
Na hora que vai correr
Usa a sua própria calda
Quando vai se defender






4

O urubu vive voado
E não usa gasolina
A sua pele queimada
E não freqüenta piscina
Nunca recebeu salário
E vive fazendo faxina

Tem o tamanduá bandeira
Parece um forasteiro
Geralmente anda só
Dispensa o companheiro
E quando quer se alimentar
Procura um cupinzeiro

O mocó é muito rápido
Aquilo me admira
Mora nas locas de pedra
E por dentro da macambira
O caçador aparece e
E com a espingarda atira






5

O burro com a carroça
Ele puxa o tempo inteiro
Ele recebe as ordens
Do seu dono carroceiro
O burro fica com peso
E o homem com o dinheiro

A cabra junto com o bode
Na sombra do juazeiro
Eles não são fã de chuva
Corre no meio do terreno
Novo lhe chama o cabrito
E velho é pai de chiqueiro

O gato persegue o rato
Se ele esta dentro do lar
Deita no colo da dona
Quando ele quer descansar
E sobe em cima da casa
Quando ele quer namorar






6


O pavão fica andando
tão cheio de gentileza
Desfilando no terreno
Exibe sua beleza
Parece que foi pintado
Pela mão da natureza

As manadas de camelo
Tem grande tem pequenino
O povo andando nele
Parecendo peregrino
E tornou transporte e comercio
Para o povo marroquino

O cavalo pasta no campo
Dorme na estrebaria
Se reconhecesse sua força
Imagine o que seria
E o homem muito esperto
Faz dele sua montaria





7

A zebra com suas listras
Vive na vegetação
Quando ela esta pastando
Fica com muita atenção
E é muito comentado
Quando joga seleção

E o papagaio falante
Que não vive na campina
Que vive em uma gaiola
Com uma grande disciplina
Ele vive conversando
O que o povo lhe ensina

A girafa e o seu pescoço
Que nunca foi um colar
Come os brotos das árvores
Para ela se alimentar
E quando vai beber água
Não consegue se abaixar






8

A cobra é uma serpente
E ela fica entocada
A cabeça fica atenta
E o corpo enrolada
E ataca um ser humano
Caso sinta-se ameaçada

A abelha tem uma colméia
Para morar e trabalhar
Tira o liquido das flores
Para o seu mel apurar
E depois de muitos anos
Não consegue açucarar

O tatu faz uma vereda
E unhas grandes nas mãos
Formiga e pequeno inseto
É a sua alimentação
E pra fazer sua morada
Faz um buraco no chão






9

O porco gosta de lama
E não gosta de poeira
Quando ele fica gordo
Não agüenta subir ladeira
E termina esquartejando
Dentro de uma frigideira

A onça ela circula
Dentro da mata fechada
E dorme durante o dia
E anda de madrugada
Procurando a sua presa
Que é a sua caçada

O João de barro faz a casa
Deixa toda acabada
É pedreiro e arquiteto
Não gosta de coisa errada
Se sua mulher lhe trai
Ele tranca ela na morada






10

O cachorro fica adulto
Com idade de criança
Se corre atrás de você
Geralmente sempre alcança
E toma conta do terreno
E se tornou segurança

O boi obedece
As ordens do seu senhor
Com a canga no seu pescoço
E não reclama de dor
E se o boi esta cansado
Mandamos para o matador

A vaca vive no pasto
Capim é sua ração
O rabo espanta as moscas
As quatro patas no chão
E dono tira o seu leite
Pra nossa alimentação