quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O que eu queria ver


O que eu queria ver
Era pobre com informação
Os adultos empregados
Criança com educação
E mofasse na cadeia
Todos os políticos ladrão

O que eu queria ver
Mais inverno no sertão
Que acaba se as drogas
Vencesse a corrupção
E a cultura nordestina
Brilhar na televisão

O que eu queria ver
Era um mundo de esperança
Mais escola e mais saúde
E muito mais segurança
E as calçadas brasileiras
Não dormisse mais criança

O que eu queria ver
Muitas coisas diferentes
Nas revistas e nos jornais
Meus cordéis e repentes
E a cura da AIDs
Que vem matando tanta gente
 
O que eu queria ver
Mudanças de todos os sentidos
A lei Maria da Penha
Seu projeto garantido
Que proteja a mulher
Que apanha do marido

O que eu queria ver
Pode prestar atenção
O custo de vida baixo
E acabasse a infração
E não houvesse mais guerra
De nação contra nação

O que eu queria ver
Para o bem desta nação
Ver as águas cristalinas
O ar sem poluição
E prender padre  pedófilo
Junto com pastor ladrão

O que eu queria ver
Não seria diferente
O nordeste com mais chuva
E sudeste sem enchente
Mais médicos e hospitais
Para cuidar dos doentes

 Autor=José dos Nascimento

 

 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Lá no nordeste é assim


Lá no nordeste é assim
A luz é de candeeiro
Velho anda escorado
Numa vara de pereiro
E a palavra do homem
Vale mais que dinheiro

Lá no nordeste é assim
Cada um tem sua função
Reza-se o terço e novena
Bendito em oração
E lembra-se de padre Cícero
Também de frei Damião

Lá no nordeste é assim
Demonstra o seu sentimento
O transporte é o cavalo
Muitos andam de jumento
E a moça só faz amor
Logo após o casamento

Lá no nordeste é assim
Assiste-se cantoria
Se come em uma tigela
E toma banho de bacia
Recebe um salário mínimo
Da aposentadoria

Lá no nordeste é assim
Anda-se de pé no chão
E usa chapéu de palha
Marca de calo na mão
As mulheres são carinhosas
E os homens são cidadão

Lá no nordeste é assim
Não temos água encanada
Mais temos queijo de qualho
Manteiga e muita qualhada
Curtimos cantoria
E adoramos vaquejada

Lá no nordeste é assim
Trabalha-se com facão
E cultivando a terra
Para plantar algodão
E o que sobra da broca
A gente usa no fogão