Quando eu era criança,
me chamavam de Soro
os dentes torto da frente
parecia uma inchó
e me deram o apelido
de tamborete de forró
alem de eu ser baixinho
veja a coisa como é
tornei alvo de piada
de homem, menina e mulher
e me botaram o apelido
de pintor de rodapé
eu sou baixo e barrigudo
e isso chama a atenção
com a barriga para fora
chega cobre o cinturão
quer ver eu ficar com raiva
se me chamar de bujão
minha cabeça pelada
o povo acha esquisito
se alguém o cumprimento
geralmente é com um grito
e alguns chama minha testa
de aeroporto de mosquito
me chamam de olho torto
brinco com minha visão
eu finjo que não ouço
para evitar confusão
como eu sou alto e magro
meu apelido é espigãodorme sujo, pé descalço
me chamava to distante
nunca arrumei namorada
e nunca tive uma amante
chamam o meu nariz
de tromba de elefante
me chamam saco de osso
nas portas do botequim
de caburé de uria
pica pau e sui
eu não sei porque as pessoas
tem tanta bronco de mim
lhe chamam de esquisito
chiclete de botequim
também de alma penada
que passeia no jardim
e as vezes eu fico pensando
que Deus esqueceu de mim
sofri bullying na escola
quando eu era menino
me chamavam de vareta
porque eu tinha o corpo fino
e devido a minha altura
chamam de salário mínimo
Eu nunca passei por isso
esclarecer eu queria
que quem se desfaz dos outros
eu acho uma grosseria
é apenas apelido
em ritmo de poesia
Autor: José do Nascimento
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