domingo, 13 de outubro de 2013

Eu não quero para mim

Eu não quero para mim
E uma vida sem projetos
Ter que morar em um asilo
Por ter vendido meu teto
Depois dos filhos  criado
Eu ter que criar os netos

Eu não quero para mim
Em um hospital tomando soro
Com um câncer no pulmão
Por ter fumado mallboro
Com a vida disfarçada
E usar peruca de touro

Eu não quero para mim
Ficar desempregado
Ter que viajar de ônibus
Completamente lotado
E um sujeito sem ter carta
Querer meu carro emprestado

Eu não quero para mim
A visita do Ricardão
Viajar para o nordeste
Em cima do caminhão
E na saída da igreja
Receber voz de prisão

Eu não quero para mim
A ganância do dinheiro
Viver dormindo na rua
Despertando o mal cheiro
Para subir na vida
E derrubar o companheiro



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